Fichamento de “Redes sociais na Internet: Considerações iniciais” de Raquel Recuero

“O presente artigo discute a insuficiência dos conceitos de redes igualitárias e redes sem escalas para dar conta do problema das redes sociais estabelecidas através da comunicação mediada por computador, apresentando críticas e exemplos.”

“O interesse no estudo de redes complexas permeia todo o século XX. Iniciado pelas ciências exatas, notadamente matemáticos e físicos trouxeram as maiores contribuições para o estudo das redes, que depois foram absorvidas pela sociologia, na perspectiva da análise estrutural das redes sociais.”

“O presente artigo busca trazer ao debate os modelos de estudo das redes complexas
e sua aplicabilidade para as redes sociais na Internet Trabalhando a partir da perspectiva da análise estrutural das redes sociais e dos modelos de Barabási e Albert, Watts e Strogatz e Erdös e Rényi, o artigo busca discutir as implicações de suas aplicações na comunicação mediada por computador, bem como um possível diálogo entre a perspectiva sociológica e a perspectiva matemática desses autores. Resultado de um estudo exploratório que trabalha com a observação empírica de possíveis redes sociais na internet no Orkut, nos weblogs e nos fotologs, o artigo trabalha com exemplos buscando clarificar o debate e demonstrando pontos fortes e fracos nessa aplicação da teoria.”

“Os primeiros passos da teoria das redes encontram-se principalmente nos trabalhos
do matemático Ëuler que criou o primeiro teorema da teoria dos grafos. Um grafo é
uma representação de um conjunto de nós conectados por arestas que, em conjunto, formam uma rede. Em cima dessa nova ideia, vários estudiosos dedicaram-se ao trabalho de compreender quais eram as propriedades dos vários tipos de grafos e como se dava o processo de sua construção, ou seja, como seus nós se agrupavam .”

“O estudo de redes sociais “reflete uma mudança do individualismo comum nas ciências sociais em busca de uma análise estrutural”. Para ir além dos atributos individuais e considerar as relações entre os atores sociais, a análise das redes sociais busca focar-se em novas “unidades de análise”, tais como: relações (caracterizadas por conteúdo, direção e força), laços sociais (que conectam pares de atores através de uma ou mais relações), multiplexidade (quanto mais relações um laço social possui, maior a sua multiplexidade) e composição do laço social (derivada dos atributos individuais dos atores envolvidos). O estudo de redes sociais procura também levar para a sociedade os elementos principais estudados em uma rede, tais como densidade da rede, clusterização e etc.”

“O sociólogo Stanley Milgram, na década de 60, foi o primeiro a realizar um experimento para observar os graus de separação entre as pessoas. ([Dégene e Forsé,
1999], [Buchanan, 2002]; [Barabasi, 2003] e [Watts, 2003]). Ele enviou uma determinada quantidade de cartas a vários indivíduos, de forma aleatória, solicitando que tentassem enviar a um alvo específico. Caso não conhecessem o alvo, as pessoas eram solicitadas então, a enviar as cartas para alguém que acreditassem estar mais perto dessa pessoa. Milgram descobriu que, das cartas que chegaram a seu destinatário final, a maioria havia passado apenas por um pequeno número de pessoas.”

“Outra importante contribuição para o o problema da estruturação das redes sociais
foi dada pelo sociólogo Mark Granovetter (1973). Em seus estudos, ele descobriu que
chamou de laços fracos (weak ties) seriam muito mais importantes, na manutenção da rede social do que os laços fortes (strong ties), para os quais habitualmente os sociólogos davam mais importância.”

“O primeiro problema da teoria dos mundos pequenos de Watts foi explicado por Barabási (2003: 55-64) pouco tempo após a publicação do trabalho. Watts tratava as
suas redes sociais como redes aleatórias, ou seja, redes em que as conexões entre os
nós (indivíduos) eram estabelecidas de modo aleatório, exatamente como Erdös e Rényi anos antes.”

“Em princípio, o Orkut parece demonstrar a existência de redes sociais amplas, altamente conectadas, com um grau de separação muito pequeno, exatamente como o previsto no modelo de Watts e Strogatz. É possível, inclusive visualizar os “atalhos”ao visualizar perfis de desconhecidos. Entretanto, com uma observação um pouco mais detalhada, percebe-se que a maioria das “distâncias” entre os membros do sistema é reduzida pela presença de alguns indivíduos, que são “amigos de todo mundo”.”

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